domingo, 18 de novembro de 2012

miudo voador

O miúdo voador
Nestes dias de chuva, de ventos, de tufões quase cercados de eventos morfados e térpidos, deparo-me numa situação que já não vivia a imenso tempo. Entrar num hospital sem forças sem dinheiro apenas com o meu olhar gélido de dor e com um sorriso malvado da dor alheia.
Quanto mais dor eu via mais prazer eu tinha. talvez para descurar a minha dor e tentar esquece.la mas vi um caso de um filho que fugiu da branca maca, descalço fugia em direcção a uma liberdade que era apenas do outro lado do anjo negro. A certeza dele era tão segura que a cobardia transparecia à sombra alheia e fugia pelos canos de obras e mais obras do hospital. A mãe tremula não sabia o que fazer o que dizer, mas os seus gritos eram como orgasmos de dor para mim, encarar o sofrimento dela com o meu que parecia nulo ao lado dela. enquanto isso o aumentar, o climax dela acontecia com espasmos à medida que ouvia dizer:
- é a mae daquele miudo que queria voar do predio do hospital.
- é a irma do miudo que vai para a psiquiatria.
entre tantos feedbacks eu ouvia os sarcasmos de coitadinha, que pena. a revolta da minha agonia foi de sair entrar como na vida, ser cobarde e nao ser, viver e tentar viver.
independentemente das razoes do miudo voador acho que ele queria viver, LIVRE sem o olhar daqueles que o viam como um outro doente sem recuperaçao.
vim para casa por saidas e por portas. nao paguei, na revolta e com a tristeza de ser cobarde e de me julgar melhor e nao passar de uma pobre mente triste.
vale a pena pensar nisso.
sermos aquilio e fazermos o querermos e sermos livres do que cobardes acomodados e traidos a nos mesmos.
Gualter luz 18-11-2012

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